PLAY BOI

Por Tertuliana Lustosa

Hoje, no dia da visibilidade trans, ofereço online e gratuitamente pela Editora Outra Literatura (transresistente) meu primeiro romance, que escrevi metade em 2012 antes da transição em Salvador e em Corrente-PI e a outra parte em 2018 e 2019 após a transição, entre Rio de Janeiro, Bahia e Piauí. A protagonista é uma mulher trans nordestina e por considerar essa perspectiva importantíssima para o movimento por gênero e sexualidade dedico nosso dia às resistências T.

“Sertão… coisa pré-civilizatória que nem para a pré-história deu. Banda onde cantam os silêncios, onde a luta pelos direitos civis parece mais fuga do pântano desidratado.
Sertrans… é onde a cidadania não chega, onde o respeito não chega nem mesmo um nome de pia chega.
Sertão trans… é ficção ou coisa não identificada ou matada ou morrida ou fugida da cidade antes de ser ou voltada já cidadão da capital. Onde a cisvilização costeira não chega.”
S. sai de casa em busca de um nome, em busca de uma nova identidade. Viaja da sua cidade, Corrente, até a metrópole Rio de Janeiro para morar na casa de uma travesti costureira chamada Ayara, e tem a arte como expressão da sua subjetividade. Deixa a casa de Ayara e vive na Aldeia Maracanã, onde conhece Jaci. Começa a vender cordel e decide retornar à sua cidade para fazer uma performance que marcaria completamente os rumos da sua vida. Após a performance, é assassinada e ressuscitada e junto com Jaci percorre os rios do Piauí, deparando-se com suas principais lendas e histórias da infância: a dúbia, Miridam, a índia do rio Paraim; Crispim, o cabeça de cuia do encontro dos rio Parnaíba com o rio Poty; o velho da Lagoa do Parnaguá; Curupira, Judite, a puta cartomante…

Boa leitura.