Camara escura na UERJ

O Núcleo de Fotografia da UERJ realizou na tarde do dia 10 de maio uma experiência com uma câmera escura de três metros de comprimento e de largura, ao lado da Galeria Cândido Portinari. Instalada num local de grande circulação de pessoas, a câmera chamou bastante atenção dos transeuntes.

“A ideia de trazer a câmera escura é porque você pode a partir dela falar a respeito de fotografia, de pintura e também a respeito de Física e de Filosofia. A câmera escura serviu tanto para a fotografia mas muito antes ela serviu como uma forma de anteparo e de auxilio a pintores e desenhistas durante o Barroco e o Renascimento. Além disso, ela representa um acumulo de conhecimentos da Óptica e da Física muito grande. E, finalmente, ela também serve para essa ideia: será que a gente vê o mundo realmente como ele é ou será que o mundo é realmente outra coisa que a gente não enxerga com os nossos olhos? Essas são questões que a filosofia esta permanentemente discutindo dentro de uma teoria do conhecimento; de como é que a gente tem o conhecimento, de como é que a gente percebe e interpreta o mundo. Isso tudo esta dentro desse conceito de câmera escura, então eu montei isso tudo porque de certa forma nos reunimos nessa experiência diversos conhecimentos, então se torna uma atividade interdisciplinar, que é o que mais me interessa, ou seja: misturar as coisas, encontrar pessoas novas, discutir com outros departamentos e outras unidades diferentes saberes. E além disso sempre é uma diversão, um aprendizado você realizar essas coisas junto com amigos, professores, colegas, alunos e todas as pessoas interessadas.” – assim comentou o professor Mauro Trindade, idealizador do evento.

Registro Mayara Velozo
Registro Tertuliana Lustosa

E não para por aí! A mostra continua com uma mesa na sexta, dia 24/5, às 19h, com uma conversa com pesquisadores da UFRJ e a da UERJ a respeito da Câmera Escura. Com a presença de Marcelo Silveira, da Escola de Belas Artes da UFRJ, Alexandre Ragazzi, do Instituto de Artes da UERJ, e Luiz Pinheiro, do Laboratório de Óptica do Instituto de Física da UERJ. Será no Auditório do Instituto de Artes e, como destaca Mauro Trindade, professor responsável, a mesa será interdisciplinar, agregando pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento.

PLAY BOI

Por Tertuliana Lustosa

Hoje, no dia da visibilidade trans, ofereço online e gratuitamente pela Editora Outra Literatura (transresistente) meu primeiro romance, que escrevi metade em 2012 antes da transição em Salvador e em Corrente-PI e a outra parte em 2018 e 2019 após a transição, entre Rio de Janeiro, Bahia e Piauí. A protagonista é uma mulher trans nordestina e por considerar essa perspectiva importantíssima para o movimento por gênero e sexualidade dedico nosso dia às resistências T.

“Sertão… coisa pré-civilizatória que nem para a pré-história deu. Banda onde cantam os silêncios, onde a luta pelos direitos civis parece mais fuga do pântano desidratado.
Sertrans… é onde a cidadania não chega, onde o respeito não chega nem mesmo um nome de pia chega.
Sertão trans… é ficção ou coisa não identificada ou matada ou morrida ou fugida da cidade antes de ser ou voltada já cidadão da capital. Onde a cisvilização costeira não chega.”
S. sai de casa em busca de um nome, em busca de uma nova identidade. Viaja da sua cidade, Corrente, até a metrópole Rio de Janeiro para morar na casa de uma travesti costureira chamada Ayara, e tem a arte como expressão da sua subjetividade. Deixa a casa de Ayara e vive na Aldeia Maracanã, onde conhece Jaci. Começa a vender cordel e decide retornar à sua cidade para fazer uma performance que marcaria completamente os rumos da sua vida. Após a performance, é assassinada e ressuscitada e junto com Jaci percorre os rios do Piauí, deparando-se com suas principais lendas e histórias da infância: a dúbia, Miridam, a índia do rio Paraim; Crispim, o cabeça de cuia do encontro dos rio Parnaíba com o rio Poty; o velho da Lagoa do Parnaguá; Curupira, Judite, a puta cartomante…

Boa leitura.

Y

y, palavra que em tupi-guarani significa água, fluxo, fluido

Doando nessa vaquinha (link: https://www.catarse.me/y_livro_df0e/#about) vocêcontribui para a primeira edição com lançamento e exposição do livro “Y”, com obras de poetas e artistas interseccionais brasileires.

Chuva de palavras soltas nas folhas.

Segredos, revelações e desabafos. Vivencias.

Relatos de jovens negros, indígenas, periféricos, LGBTS e transvestigeneres vomitam o que tínhamos que falar faz tempo: uma vida de repressão diária e luta.

Memórias.

Convido você a contribuir para um projeto-sonho, de publicarmos prosas, poesias e artes visuais afluentes da nossa presença. Rio, existência. Reexistência….

“Y” é a primeira publicação impressa do Outra Literatura, editora idealizada por Tertuliana Lustosa, iniciada online através do link www.outraliteratura.com.br

A publicação é dividida em três partes, que são três movimentos de águas: chuva, oceano e rio, que remetem, respectivamente, às formas de poesia, prosa e artes visuais.

O livro “Y” é composto pelos autores

Alana Carvalho

Aika Cortez

Augusto Braz

Danie Gues

Fernanda Vieira

Igor Damasio

Ingrid Lemos

Julia Aiz

Junior Ferreira

Lyz Parayzo

Maria Clara Pinto

Mateus A. Krustx

Mayara Velozo

Passarinho (Mateus Barros)

Pavuna Luz

Peter Franco

Rezi de Souza

Contribua no link: https://www.catarse.me/y_livro_df0e/#about

Mary Kay – Rap, poesia marginal, compromisso

Por Tertuliana Lustosa

O lançamento do clipe “Mary Kay” aconteceu dia 16 de novembro no Ganjah Lapa – RJ. Aika Cortez, mais conhecida pela música “Aik-47” e pelas diversas rodas culturais por onde passou, soltou no YouTube o seu novo clipe, que dispensa comentários, passa sua mensagem ironicamente.

Mary Kay, e não só essa mas todas as marcas de moda: vocês estão prontas para uma geração do rap que usa seus símbolos capitalistas mais preciosos para questionar seu padrão de beleza? Não é sobre branquitude e capitalismo, é sobre mulheres negras, transaliadas, que chegam a lugares e constroem trajetória para falar sobre suas questões.

No clipe, são muitas as manas do role, e eu gostaria de destacar a artista Pamela Belli que faz parte da dupla “Thunder Trash” e que dança ao estilo do funk no clipe, marcando uma das características da música da Aika: um quê de funk no rap (que hoje inclusive é super apontado como tendência por artistas como MC Cabelinho, MC TH e DJ Rogerinho do Querô). É o rap, é o funk!

Não acho que falar muito substitui a delícia que ficou o clipe e a sacada da sua relação imagem-som, que dá todo o sentido ao trampo. Se liga aí…

Uma outra literatura é possível

Este site é um canal de publicações independentes e divulgação de conteúdos dissidentes. Chegou a hora de dizer sim para a literatura das sapa, das bi, das bixa, das travesti, das pretas, das indígenas, das putas, das faveladas, das monas e de todas resistentes na sua arte. Outra literatura é possível no Brasil e ela não está fechada ao mundo das palavras escritas: é preciso ampliar o campo e agregar outras identidades possíveis. Aqui estarão presentes arte de guerrilha e outras artes visuais, funk e outros ritmos musicais, cordel e outras escritas populares, candomblé e outras religiosidades contrahegemônicas, coberturas de SLAM e outros eventos. Sejam bem-vindes!